Ode ao eugenismo

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Quando atravessei o além-mar

de meu pomar.

Vendo ao longe, nas turbinas

inquietantes do avião[…] eu

só queria viajar.

Para o futuro, indizivel e positivista, só me restava

Prosear.

Segui o meu caminho, Cuiabá, Campo Grande,

São Paulo e Porto Alegre, nas para paragens do

frio da serra eu vim parar.

Abafando em mim a essência do matuto,

homem bruto e sem luto, conheci a cidade

grande, que de grande, só abrange a

geografia. Que em outras “ias”, como na antropologia,

o que refulgia é o inconsciente quente, que

não refuga jamais, as guerras imprudentes.

E por ai se propaga o sangue farroupilha. E a gauchada

em festa culturais puxam, seguem e embuxam à essência das matilhas.

Louvemos então, esse coletivo.

Mas para um matuto astuto, fica o reduto, em terra de gaúcho,

só tem razão aquele que bebeu da lama podre dos campos de

batalha da guerras, que ficam ai, narradas. 

Escrevendo…

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Será mesmo coerente representarmos as coisas e não as nós mesmos? 
Na sociedade o que fazemos é representar. Somos mãe, pai, amigo, irmão, mas nunca nós mesmos. 
A palavra de ordem não deveria ser representar, mas sim, apresentar. “Mas essa dor que me devora e esse dolorido afã, não me batera tanta dor no peito, se eu morresse amanhã”.
Não deixemos de apresentar ao mundo um espetáculo tão esperado, nós. Em cartaz com ótimos atores, que cotidianamente representam, uns posições estratégicas, outros, nem tanto, mas que, por isso mesmo, esquecem-se de apresentar ao mundo a beleza de si. 
É pesado o fardo disso tudo. Ser isso, ser torto, ser alguém com algo para oferecer a alguém, basta! E quando é que eu serei somente isso, eu mesmo? Quando eu for apresentado ao meu amigo eterno e íntimo, o túmulo. 
Sera este dia apenas mais um dia ou será o meu último dia? 
Não deve ser este nem aquele, deve ser somente o prenúncio do novo. Faça sol, faça chuva, apresente a este novo dia, uma nova marca. Só não se esqueça de marcar os que estão a tua volta, os que realmente merecem a tua marca. Porque um bom ator da vida navega diante do palco, dando aos que o assistem, uma bela apresentação daquilo que quer representar, e mais, vive só no presente por acreditar que o homem e a morte são duas coisas distintas, pois ele sabe que estamos em vida a morte não existe e quando ela está presente nós já não estamos mais aqui. 
Portanto, caro amigo, se te serve de aviso, não deixe que apenas um túmulo represente a tua existência.

Pela …

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‎”- Bom mesmo é estar a distancia!!! Assim os acontecimentos o interte e o deixa preso a velhos livros.
– De mim, digo apenas: Estou vulnervél. E a lembrança de tua face em nada me ajuda a engolir a seco esses livros velhos.
– Então assuma o inevitavel.
– Pudera eu. Minha mente é mesquinha o suficiente para sublimar o obscuro.
– É meu caro, no fundo, choras.
– É o esconder-se em meio a guerra. Qualquer canto me serve, visto que em qualquer canto serei visto.”

“Sendo o ciúme o perfume do amor, prefiro andar com o odor fétido da paixão, a ter o amor de uma mulher. “

Pede o bom senso que eu escreva para que assim mantenha os escombros sem gritos na superficie.

Por Gleyson Dias

“The Day the Music Died”

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“O problema do cenário musical brasileiro, é que existem por ai, muitas estrelas. Temos mesmo é a necessidade de possuirmos neste cenário: luzes. Pois enquanto as estrelas estão condicionadas, o seu brilho, a um outro astro, costumam brilhar por pouco tempo, sendo que a luz possui o seu brilho amparado apenas em sua própria força de criar energia, sua auto-criação.”

Por Gleyson Dias. 

Tua entrega

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“- Não sei se lhe digo o que trago em mim…

– Além do corpo?

– Sim, além deste.”

(fragmento)

Nunca quis de ti mais do que isso: O teu ouvido e teu corpo.

O ouvido para o fim, o corpo para o começo. Mas definhamos da tarefa, que se tarefa foi, só o foi enquanto miséria das tarefas. Das duas coisas que procurei em ti, tive em excesso uma delas, o ouvido. Ouviste-me quando deveria. Quando queria e quando não queria.

E quando eu não queria que me ouvisses, deverias não correr de mim, certamente não, mas achegar-se junto ao meu corpo e pedir-me silêncio, Dizer que os próximos minutos não precisarão de transcrição em diálogo, pois diálogo não haverá. Não haverá diálogo que possa ser lido, mas apenas uma tênue linguagem do inescapável.

Depois de tudo passado, mais ou menos embaçado, à nossa frente, chegamos ao fim.

Agora que preciso que me ouças, tu dormes. Nem é preciso tocar-lhe para saber que teu espírito repousa longe desse infecto lugar. Neste pequeno lugarejo, o que sobra e me calha é deixar-te nua, ai, e sair a ver se algo me cai como ouvidos.

A imagem obliqua e difusa de um copo dando caminho a um pequeno iceberg que desliza em todas as direções, conforme o impulso que lhe dou, fará às vezes de estar aqui a me ouvir. Volto ao mezanino  a escrever o que me vem.

 

Se… Fuja!

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Se me vires por ai a olhar o vento
é porque quero ouvir do vento o som
nitido do teu riso a ricochetear por ai.

Se me vires na chuva correndo como um louco
a procurar à gotícula mais bonita da noite
é porque ando a me lembrar de tua pele.

Se o frio por aqui estiver e minha
voz for uma pequena intermitencia que insinue
o meu diálogo com o frio, achegue-se ao teu
portão para ouvires os delirios que digo a ele.

Se a noite bater em minha porta com força e
voce, seja aonde estiver, ouvir o som, caminhe
por ela, pela noite, para que ouças dela as noticias
insanas de delirios que ela veio me entregar.

Se no raiar do dia os teus olhos, de cansaço,
se recusar a vir ver o dia que aqui fora estará,
venha de olhos fechados até minha cama que eu darei
motivos a ele para que se abra e veja.

Se no furor do dia o calor lhe pegar desprevenida
e tu decidires desafia-lo pelo simples prazer de
afronta-lo, lembre-se que o nosso prazer em muito
criou o calor que agora enfrentas.

Mundos dos Enganos

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Mundo dos enganos, em cartaz. Reflito.

Nunca estive neste filme, mas é como se estivesse. Não entendo de palco e coxias, mas é como se estivesse encenando o nascer disso.

Subir e estar palco é a oportunidade de representar, os então sete bilhões que somos, o número que somos, a compor esta total soma. Ser um entre esse número é coisa que pouco espanta. Agora, ser um que representa diante desse número é coisa que alarma.

Sou desses que desconhece o que por ai se procura. Procuro o que me é o prazer. Trago comigo o prazer a representar, nu no palco, o seu sexo. Sou, meu corpo, a escandalizar mentes presas ao conluio social, o prazer.

Digo a prisão o que o prazer deveria ouvir, digo isso: seja o prazer, tu, a manter-se pela própria arte que tens, que é matar os outros e sobrevir em si.

Meu prazer logo só se faz em corpos inocentes, porque do contrário corpos que sabem de si não abrem para o prazer por simplesmente estarem a divagar entre o ser, o ter e o fazer. Ah, o que há nisto de não o ser. O que sei e digo é que vale ser em prazer que ter o desespero de lembrar o que nunca houve.

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