Por tantas vezes imaginei amar você, sonhava com as contrariedades vãs que vinha de ti, não me importava a tua falta de cultura, era o seu conjunto desengonçado, inocente e meigo que me chamava a vida.Com voce tudo acontecia sem improviso, e eu a principio não queria comungar com tais ideias, me perguntava, como viver sem estar a par das consequências vindouras?. Mas “o principio era o verbo e o verbo se fez carne” intão acabei me envolvendo de tal forma com esta máxima, que depois do primeiro encontro, e que por sorte acabou se consolidando em nossa primeira transa, “ah, ludibriei e afoguei em ti todos os meus sentidos.”
O paladar que antes era meu, se converteu em escravo para degustação: do teu corpo; minha boca anuiu voluntariamente em realizar aqueles teus mais secretos desejos, ela – a boca – passava por vezes como simples objeto para a tua finalidade maior, O ORGASMO, ela era inflingida contra própria vontade a se deliciar com incontaveis mordidelas açucaradas, com o melhor de ti, – ó, teu doce e impregnado orgasmo – o teu gozo, levadas por vezes a roçar a tua protuberançia macia e latente, a tua cavidade inefavél. Era programada para ceder a ti todos os movimentos da lingua em prol daquele indescritivel sexo oral, sei que voce à adorava como sua súdita e ela se deleitava com aquela reclusão “contra minha própria vontade”.
Meu olfato relutou em se entregar, contudo com voce tudo se desvanece e assim ele se subjugou a uma perpétua consolação em extrair de de ti todos os aromas: o cheiro da tua boca exalando teu hálito ressecado pelo calor contínuo e pelo voluptuoso ato sexual ; o odor que era exalado da tua vulva macia, que naquele momento estava em chamas e que recebia a todo momento estocadas fortes e precisas de meu incansavél sexo.
Ó, doce audição, agora já não a tenho mais em meu poder, este sentido a muito tempo lhe pertence, ele lhe servia e ainda lhe serve como um Espinoza* na arte de investigar, só que mudo e cego, mas com ótimos ouvidos: e com a função de ouvir os teus gritos de prazer; os teus gemidos entrecortados por breves interrupções de tua boca que
ansiava por transformar aqueles indefiniveis sons em palavras, com um tom afavél e indelevel.
Eu posso agora tocar-lhe, mas só e somente quando voce me pede, ou me obriga, porque este sentido somente a voce pertence, sei que faz bom uso dele, ja vi por demasiadas vezes voce obrigar este sentido a cometer a voce mesmo as maiores agruras em nome do prazer: me pedia para que com meus dedos tocassem o teu clitóris e logo depois este se tornava testemunha ocular do deslize que minha mão realizava para direcionar alguns dedos para dentro de teu corpo, voce me pedia muito e minhas mãos não podia lhe oferecer, pois isto era somente incumbência do membro viril.
E por fim e talvez não seja exatamente o fim foi me tirado a visão, quero acreditar que cedi somente isto que me restava em favor de algo maior, algo favor de algo melhor…: pois agora só a tenho em meus olhos, é como se fosse tirado de mim todos as cores, vivacidades, vicissitudes e atinos do mundo, sou obrigado a te-los somente para vós, [...], me questiono até onde continuarei a me ofuscar por tuas virtudes, anseios e por tua beleza, talvez não tenha fim e é bom que não haja um fim,[...] me custaria muito ter de reacostumar todos os meus sentidos para um novo alguém.
Minha mente voa,
o coração responde,
a cabeça em solavancos.
E na totalidade de meu corpo!?
Só resta ter voce,
para reconfirmar
o que realmente,
tenho por gosto – paladar
o que respiro – olfato
o que ouço – audição
o que toco – tato (e)
o que vejo – visão.
Em voce meus sentidos,
encontra a sincronia perfeita,
em voce eles ressoam ao som
da mais perfeita sonata beethoviniana.
* Detetive Espinoza, extraido dos livros de Garcia Roza, aquele investiga na atualidade os crimes que ocorrem no Rio de Janeiro, uma cidade Fictícia nos livros, mas que na realidade reside o autor.
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