Imenso palco

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- (Aquele que afeta) Contemple a alguns metros de nós um corpo, dois corpos.

- (Aquele que interpreta)Aqui no palco atingimos a todos.

- (Aquele que outro que interpreta) Nosso eco é forte e invade vossas mentes.

- (Aquele que afeta) Aqueles não parecem mirar o que se passam em sua frente. Parecem atônitos e absorvidos por algo. Que algo será nasalado de seus narizes. Que algo será dito de suas bocas.

- (Aquele que está distante)) “Ah, já não posso mais suportar ser somente um corpo ao teu lado.”

- (Aquele que afeta) Teus olhos observam o que no palco acontece, mas seu corpo não.

- (Aquele que que está distante) “Queres me ver explodindo de prazer?”

- (Aquele que interpreta) O amor dos que nos assistem esta contido lá no fundo.

- (Aquele outro que interpreta) Costuremos então essas bocas que nada dizem de nós. Abram a boca e diga-nos que lhes parecem ver-nos aqui no palco.

- (Aquele que esta lá distante, ao lado do outro) “Quão aflita estou estando aqui. Estou enlouquecendo!? Certamente que não. A vida me dará algo por conforto …”

- (Aquele que que está distante) “Quero representar o turbilhão de anseios que comigo tenho. Teu corpo deveria estar nu. Queimá-lo-ia expelindo apenas meu ar em ti. Teus braços seriam a cruz que me colocaria e me ampararia no calor que me arrebentaria. Achas pouco?”

- (Aquele que esta lá distante, ao lado do outro) “Que devo eu fazer. Representar aqui? No palco? Se minhas mãos se moverem em direção contrária estarei eu afrontando-o? Ah, que palco imenso! Por mais que eu caminhe e represente mais me sinto indefesa. No palco, seria apenas um beijo. Mas aqui, a crueza … Sim. A crueza dos corpos. Descerei até aquele palco e gritarei a esses corpos que não ouvem o meu grito. Sinto que se o choro vier cairei desfalecida.

Vida!? Poupe-me de estar aqui como corpo e estar no palco como alma. Dê-me minha alma e, somente min’alma. Direi verdades sem estar trancada nesse corpo.”

 

 

Dedicado à “_ _ _ _”

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Mire ali! Duas mentes que se bastam.

Duas que se ferem.

Dois corpos que se embalam,

A verdade pra que queres?

 

Um vácuo! É o que tens ali

É o que tens aqui.

A verdade como operário

E uma mente por se abrir.

 

Um estado! Disseste algo pra mim.

De mim terás o que quiseres.

Transplantando a ilusão

Daquele que te feres.

 

Um rosto! No escuro tens a alma,

Quando claro a nudez.

Te embrenhas vida à fora

Procurando a lucidez.

 

Uma visão! Recebendo com humildade

Todo o prazer que lhe consome.

Angariar para a sabedoria

Tudo àquilo que é sem nome.

 

Um preço! Tens pela manhã

O sol que te rodeia.

Caminhas intentando tudo

Esquecendo a brisa alheia.

 

Dedicatória: Ao doce do capitalismo

que ainda continua a instigar

 à uma mui hermosa amiga. Mari

14/08/11

14:50

Sorvendo teu gosto

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Ao longe, atingido pelo calor que corta

A minha visão, com espaçadas interrupções, vejo-te.

Entre você e eu: a distancia.

Na distancia que nos separa: a impossibilidade

De tê-la.

Não quero vê-la a metros de distancia.

Não quero vê-la próximo de mim.

Não poderia vê-la. Minha frágil retina

Recusar-se-ia a levar ao cérebro a mensagem

Captada.

E assim eu corro,

Na esperança de que velocidade quebre

A tênue barreira que há entre o teu

Mundo e o mundo real.

Nem Hesse* conseguiria criar um mundo de

Espelhos como o teu. Fui embebido

De teu mundo perfeito, acreditando eu

Estar às portas do indescritível.

Indescritível como a cintilancia de uma

Gota cristalina caindo do alto…

Oh, desatino. Ainda me encontro aqui,

Neste bar fantasiando um de meus amores

Que estão por vir.

*Herman Hesse, O lobo da estepe.

Enquanto o elo não se rompe

1 Comentário

Por tantas vezes imaginei amar você, sonhava com as contrariedades vãs que vinha de ti, não me importava a tua falta de cultura, era o seu conjunto desengonçado, inocente e meigo que me chamava a vida.Com voce tudo acontecia sem improviso, e eu a principio não queria comungar com tais ideias, me perguntava, como viver sem estar a par das consequências vindouras?. Mas “o principio era o verbo e o verbo se fez carne” intão acabei me envolvendo de tal forma com esta máxima, que depois do primeiro encontro, e que por sorte acabou se consolidando em nossa primeira transa, “ah, ludibriei e afoguei em ti todos os meus sentidos.”

O paladar que antes era meu, se converteu em escravo para degustação: do teu corpo; minha boca anuiu voluntariamente em realizar aqueles teus mais secretos desejos, ela – a boca – passava por vezes como simples objeto para a tua finalidade maior, O ORGASMO, ela era inflingida contra própria vontade a se deliciar com incontaveis mordidelas açucaradas, com o melhor de ti, – ó, teu doce e impregnado orgasmo – o teu gozo, levadas por vezes a roçar a tua protuberançia macia e latente, a tua cavidade inefavél. Era programada para ceder a ti todos os movimentos da lingua em prol daquele indescritivel sexo oral, sei que voce à adorava como sua súdita e ela se deleitava com aquela reclusão “contra minha própria vontade”.

Meu olfato relutou em se entregar, contudo com voce tudo se desvanece e assim ele se subjugou a uma perpétua consolação em extrair de de ti todos os aromas: o cheiro da tua boca exalando teu hálito ressecado pelo calor contínuo e pelo voluptuoso ato sexual ; o odor que era exalado da tua vulva macia, que naquele momento estava em chamas e que recebia a todo momento estocadas fortes e precisas de meu incansavél sexo.

Ó, doce audição, agora já não a tenho mais em meu poder, este sentido a muito tempo lhe pertence, ele lhe servia e ainda lhe serve como um Espinoza* na arte de investigar, só que mudo e cego, mas com ótimos ouvidos: e com a função de ouvir os teus gritos de prazer; os teus gemidos entrecortados por breves interrupções de tua boca que

ansiava por transformar aqueles indefiniveis sons em palavras, com um tom afavél e indelevel.

Eu posso agora tocar-lhe, mas só e somente quando voce me pede, ou me obriga, porque este sentido somente a voce pertence, sei que faz bom uso dele, ja vi por demasiadas vezes voce obrigar este sentido a cometer a voce mesmo as maiores agruras em nome do prazer: me pedia para que com meus dedos tocassem o teu clitóris e logo depois este se tornava testemunha ocular do deslize que minha mão realizava para direcionar alguns dedos para dentro de teu corpo, voce me pedia muito e minhas mãos não podia lhe oferecer, pois isto era somente incumbência do membro viril.

E por fim e talvez não seja exatamente o fim foi me tirado a visão, quero acreditar que cedi somente isto que me restava em favor de algo maior, algo favor de algo melhor…: pois agora só a tenho em meus olhos, é como se fosse tirado de mim todos as cores, vivacidades, vicissitudes e atinos do mundo, sou obrigado a te-los somente para vós, [...], me questiono até onde continuarei a me ofuscar por tuas virtudes, anseios e por tua beleza, talvez não tenha fim e é bom que não haja um fim,[...] me custaria muito ter de reacostumar todos os meus sentidos para um novo alguém.

Minha mente voa,

o coração responde,

a cabeça em solavancos.

E na totalidade de meu corpo!?

Só resta ter voce,

para reconfirmar

o que realmente,

tenho por gosto – paladar

o que respiro – olfato

o que ouço – audição

o que toco – tato (e)

o que vejo – visão.

Em voce meus sentidos,

encontra a sincronia perfeita,

em voce eles ressoam ao som

da mais perfeita sonata beethoviniana.

* Detetive Espinoza, extraido dos livros de Garcia Roza, aquele investiga na atualidade os crimes que ocorrem no Rio de Janeiro, uma cidade Fictícia nos livros, mas que na realidade reside o autor.

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