Eis que Hades, o Deus dos mortos, se aproxima seguido por teus súditos e ao sinal daquele (Hades)estes (súditos), estes começam a montar ao redor de um certo homem um circulo, tudo totalmente fora de controle, gritos, uivos, frêmitos lascivos e toda especie de agruras que faz o ser humano esboçar em seu próprio o rosto toda fraqueza que é patente dos humanos, isto apraz Hades, ele se encanta com a nudeza humana, com o sarcasmo improprio que somente a ele que nos acometer. Prefiro expor alguem e não a mim a tamanho infortúnio, afinal isto cabe somente a quem crer, e nesse que na qual presenciei vi que a pessoa importunada por Hades tinha em si uma fervorosidade que é dada apenas aos cristãos – logo tenho a frente tenho de que vou me equivocar -, parecia-me ao ver teus olhos que tinha ele consigo que tal acontecimento que se perfazia frente aos seus olhos só poderia ser coisa do Deus regente dos infernos – grosso modo para elucidar-lhe, o sempre citado nas finais de campeonato quando o seu time comete a gafe de dar ao oponente nos últimos quinze minutos de jogo a vitória, diabo você exclama, ou quando por uma bestialidade você resolve ser sincero com teu(a) parceiro(a) e lhe dizer o que realmente há em teu sogro(a) que realmente lhe incomoda, você dirá; droga, seguido de; Diabo!

Aqui os valores foram invertidos pelo homem que recebeu Hades -cristianismo não tem nada a ver com a era pagã-, falta de leitura creio eu, é nisso que da se ater somente com Deus, o da bíblia, e incutir na mente apenas a figura do demônio, este (o demônio) deve ter nos infernos convulsões e orgasmos, porque primeiro temos a deturpação de tua imagem que jamais foi provado, aqui entra as convulsões pelo nervosismo, e segundo, quando tem a noticia por intermédio de seus enviados a terra que na próxima semana estará no mercado, de reputação obscura, o lançamento de uma infinidade de camisetas de bandas de Death Metal com sua imagem estampada, a sua “imagem deturpada”, aqui excluímos as convulsões e incluímos o orgasmo ao se deleitar com a febre capitalista que se instaurou entre os homens.

Passemos sem rodeios a dita história, quando o homem que estava a ser infligido por Hades percebeu a aproximação deste começou com a ladainha:

- Livrai-me do mal ó pai.

O Deus dos mortos ao se deparar com tal situação, caiu em um riso galhofeiro e os súditos também o seguiu, parecia que os infernos havia se estabelecido bem ali, na frente daquele homem, o riso inconcebível pelas forças humanas, lotado pela volatilidade ia em segundos da zombaria ao desespero, aquele humilde homem que hesitava em acreditar que tal fato viesse a ocorrer algum dia começou por atravessar o limiar da sanidade e já se dirigia em direção a uma loucura patológica que estava se instalando em sua mente. Segundos depois, de olhos fechados, vem-lhe o silencio e concomitantemente uma voz que aos poucos o tira do refugio do silencio, do nada.

- Que queres? Brandiu Hades, pensas que com isso abandonarei a ti? Abra os olhos e veja a podridão que há em tua volta, sinta toda sujeira que criaste em teu mundo, meu lar esta a léguas na escala do luxo perante esta podridão fétida. Não, não, não e não mil vezes, e eu ainda reluto em vir ate aqui e assistir a toda esta pocilga, oh, infâmia sem pudor. Cade ao menos uma tênue ética entre esses seres inferiores, pensei que fosse incumbência minha tamanha sujeira, mas não, não conviria em ludibriar meu corpo com tamanha lascívia.

- Afasta-se de mim, volte de onde vieste com tua corja.

- Muito me apraz ouvir tal bestialidade, pois pessoas horripilantes como vós tem a mim como amigo intimo, porem a tua ignorância o ataca vorazmente e ainda é cega. Contudo ser inferior no intuito de ainda resgatar de ti o pouco que lhe resta, peço lhe que me convença através de argumentos contundentes porque não devo lhe consumir e fazer com que te tornes apenas pó…[...].

Note o leitor aqui que a conversa que eu estava a ouvir começa a se dispersar no vento…, não sei o que houve, talvez Hades tenha sentido ao ouvir os argumentos daquele “humilde” homem uma vontade incontrolável de rir ate estremecer os céus, não sei, o fato é que minutos depois o homem estava a sorrir, certamente acreditou-se livre, de tal importuno –sabe-se la, a religião traz consigo essa segurança-, doce engano, pois quando é chegado a hora ninguém foge do reino de Hades, claro exceções já houveram, porem pouquíssimas, e estas foram feitas em nome do amor.

- Eu repudio toda a tua raça ser inferior e ainda ousa a grasnar contra mim com este riso zombeteiro, saiba que teu fútil argumento a mim jamais convenceria, darei a vós uma lição que servira de molde a toda a humanidade.

Com isso Hades personificou-se novamente frente ao homem e tocando a fronte do mesmo o converteu em pó.

- Tua fútil vida para mim só terá alguma utilidade junto ao meu infame lar, la certamente eu o convenceria a juntar-se a mim, para que juntos pudéssemos aterrorizar a este que ousou presenciar tal ato que perpetrei, NÃO FUGIRAS DO MEU ÓDIO INFELIZ ESCRITOR, pensas que não tenho visto a ti desde que aqui cheguei, estendo a você a mesma condição que imputei àquele que agora certamente jaz em meu reino.

Eu que você vos escrevo leitor, confesso que em principio dei mostras de estar intimidado, mas não ousei recuar.

- Pois frente a vós não me abstenho Hades e de-me cá alguns minutos, tenho a plena certeza que depois de me ouvir, sentiras em mim absurdo atino pela vida.

- Começa tarde, ínfimo ser, com titubeações só tomas o meu tempo, vá em frente sejas breve e convença-me se for capaz.

Não sei quanto levei ali com a minha a minha explicação, não importa, o leitor há de convir que esta seria uma mera futilidade, sim uma mera futilidade se comparada frente ao fato que narrei, aqui lhes exponho tal feito.

- Não deves me consumir caro Hades e me levar consigo a teu antro pois cá tenho comigo todas as esperanças possíveis do amanha. Carrego em mim a mais nobre das tarefas, a semente do saber e isto em si encerra grande parte do meu apelo a vida, mas sei que apenas isto não lhe convence, portanto devo prosseguir. Tenho em mim grande adoração pelo teu reino e me preparo aqui para quando for chegada a minha hora, mas o fato de render honrarias a morte não quer dizer que eu vá simplesmente ceder a vos de bom grado, NÃO, antes de partir quero cumprir o que me foi dado, o que venha a ser exatamente a minha tarefa creio que ainda não tenho bem definido, talvez não caiba a mim que eu o saiba integralmente, e isto importa? Basta simplesmente que eu o faça quando for chegado a hora. Mesmo na incerteza de meu objetivo devo-lhe confessar que esta é uma tarefa demasiado árdua, pois tenho comigo que abraçar o mundo traz consigo consequências por demais dolorosas, mas tu muito bem deves saber que os raros –e aqui me incluo- dificilmente se abstém de tal tarefa, aceitamos trilhar este caminho porque temos em nos isto como único, chamam-nos de loucos, mas refuto tal ideia, prefiro que me chamem de provocador, ou seja, filosofo minha tarefa é tirar de quem de bom grado me ouve de uma pseudo sã consciência, levo aos “seres inferiores” uma pequena centelha, que se for bem utilizada traz luz a razão. Não incentivo multidões, meu projeto é demasiado modesto, e que com isso não intendas que estou a me abster de alguma forma de mudar o mundo, não, com isso estou apostando na nova ferramenta que ajustará o seculo XXI e posteriores talvez, qual seja, A INTERDISCIPLINARIDADE, a pequena incumbência que lhe dou e que tu deves levas ao mundo.

- Durma tranquilo, Hades resolve se pronunciar, ser inferior, de ti me abstenho. O teu amor por teu pérfido mundo é demasiado ofuscante para mim e para meu reino e ai de mim se cometesse a afronta de leva-lo comigo, tenho a plena certeza de que todos os Deuses se voltaria contra mim, pois vejo que esta em vós o apelo pela a humanidade.

Hades se retira e o que tenho como vida volta a ser vivida.

27 de Maio de 2010