- (Aquele que afeta) Contemple a alguns metros de nós um corpo, dois corpos.
- (Aquele que interpreta)Aqui no palco atingimos a todos.
- (Aquele que outro que interpreta) Nosso eco é forte e invade vossas mentes.
- (Aquele que afeta) Aqueles não parecem mirar o que se passam em sua frente. Parecem atônitos e absorvidos por algo. Que algo será nasalado de seus narizes. Que algo será dito de suas bocas.
- (Aquele que está distante)) “Ah, já não posso mais suportar ser somente um corpo ao teu lado.”
- (Aquele que afeta) Teus olhos observam o que no palco acontece, mas seu corpo não.
- (Aquele que que está distante) “Queres me ver explodindo de prazer?”
- (Aquele que interpreta) O amor dos que nos assistem esta contido lá no fundo.
- (Aquele outro que interpreta) Costuremos então essas bocas que nada dizem de nós. Abram a boca e diga-nos que lhes parecem ver-nos aqui no palco.
- (Aquele que esta lá distante, ao lado do outro) “Quão aflita estou estando aqui. Estou enlouquecendo!? Certamente que não. A vida me dará algo por conforto …”
- (Aquele que que está distante) “Quero representar o turbilhão de anseios que comigo tenho. Teu corpo deveria estar nu. Queimá-lo-ia expelindo apenas meu ar em ti. Teus braços seriam a cruz que me colocaria e me ampararia no calor que me arrebentaria. Achas pouco?”
- (Aquele que esta lá distante, ao lado do outro) “Que devo eu fazer. Representar aqui? No palco? Se minhas mãos se moverem em direção contrária estarei eu afrontando-o? Ah, que palco imenso! Por mais que eu caminhe e represente mais me sinto indefesa. No palco, seria apenas um beijo. Mas aqui, a crueza … Sim. A crueza dos corpos. Descerei até aquele palco e gritarei a esses corpos que não ouvem o meu grito. Sinto que se o choro vier cairei desfalecida.
Vida!? Poupe-me de estar aqui como corpo e estar no palco como alma. Dê-me minha alma e, somente min’alma. Direi verdades sem estar trancada nesse corpo.”
