[...]educação é a natalidade², o fato de que seres nascem para o mundo.”

Ó, tenra idade vazia,

E a culpa é nossa,

Não estamos engendrando o suficiente

Nos pequeninos, o afã pelo conhecimento.

Ó, amor à tecnologia,

E a culpa é nossa,

Pois temos dado aos pequeninos,

Jogos -e futilidades- que apenas chafurdam a razão

E os submetem –se não for dosado corretamente-

À uma adesão imediata à epoquística³.

Ó, pseudo-conhecimento,

E a culpa é nossa,

Pois amiúde aniquilamos e deturpamos

O verdadeiro sentido,

Do amor(Fhilos) a sabedoria(sophia).

Ó, amor de mercado,

E a culpa é nossa,

Ensinamos aos pequeninos

A vender, e amiúde

Proibimos a reciprocidade,

Pois esta, julgamos “é desnecessária

No contexto em que vivemos.”

Eu recebo e falsamente

Retribuo.

Culpas eternas e Grundlagenkrise de menos.

Por que é da crise que estamos correndo,

Não obstante interpretamos esta como um

Caós insolúvel e com efeito imediato

Nos esquecemos com primazia disto,

Que a crise é

a oportunidade […] de explorar e investigar

a essência da questão já que ela nos obriga a voltar

às questões mesmas e exige respostas novas ou velhas,

por que perdemos as respostas em que nos apoiávamos

de ordinário, sem querer perceber originariamente se

elas constituíam respostas as questões”

O texto referido nas aspas foi extraído do ensaio “Crise na Educação” de Hannah Arendt.

Revista educação, Hannah Arendt – 4 pensa a educação. Editora Segmento, Pag. 19

16 do mês quatro de 2010.

¹Grundlagenkrise= Termo alemão que designa, Crise de Princípios.

²Natalidade= “[...]natalidade indica que cada ser humano, além de um novo ser na vida é um ser novo no mundo: esse complexo conjunto de tradições históricas e realizações materiais e simbólicas nas quais os novos (crianças) devem ser iniciados para delas participar e por elas se constituir como um ser novo num mundo preexistente.

³Epoquistica ( Epoché ): Estado de abstenção mental.