Se me vires por ai a olhar o vento
é porque quero ouvir do vento o som
nitido do teu riso a ricochetear por ai.
Se me vires na chuva correndo como um louco
a procurar à gotícula mais bonita da noite
é porque ando a me lembrar de tua pele.
Se o frio por aqui estiver e minha
voz for uma pequena intermitencia que insinue
o meu diálogo com o frio, achegue-se ao teu
portão para ouvires os delirios que digo a ele.
Se a noite bater em minha porta com força e
voce, seja aonde estiver, ouvir o som, caminhe
por ela, pela noite, para que ouças dela as noticias
insanas de delirios que ela veio me entregar.
Se no raiar do dia os teus olhos, de cansaço,
se recusar a vir ver o dia que aqui fora estará,
venha de olhos fechados até minha cama que eu darei
motivos a ele para que se abra e veja.
Se no furor do dia o calor lhe pegar desprevenida
e tu decidires desafia-lo pelo simples prazer de
afronta-lo, lembre-se que o nosso prazer em muito
criou o calor que agora enfrentas.