Mundo dos enganos, em cartaz. Reflito.
Nunca estive neste filme, mas é como se estivesse. Não entendo de palco e coxias, mas é como se estivesse encenando o nascer disso.
Subir e estar palco é a oportunidade de representar, os então sete bilhões que somos, o número que somos, a compor esta total soma. Ser um entre esse número é coisa que pouco espanta. Agora, ser um que representa diante desse número é coisa que alarma.
Sou desses que desconhece o que por ai se procura. Procuro o que me é o prazer. Trago comigo o prazer a representar, nu no palco, o seu sexo. Sou, meu corpo, a escandalizar mentes presas ao conluio social, o prazer.
Digo a prisão o que o prazer deveria ouvir, digo isso: seja o prazer, tu, a manter-se pela própria arte que tens, que é matar os outros e sobrevir em si.
Meu prazer logo só se faz em corpos inocentes, porque do contrário corpos que sabem de si não abrem para o prazer por simplesmente estarem a divagar entre o ser, o ter e o fazer. Ah, o que há nisto de não o ser. O que sei e digo é que vale ser em prazer que ter o desespero de lembrar o que nunca houve.