“The Day the Music Died”

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“O problema do cenário musical brasileiro, é que existem por ai, muitas estrelas. Temos mesmo é a necessidade de possuirmos neste cenário: luzes. Pois enquanto as estrelas estão condicionadas, o seu brilho, a um outro astro, costumam brilhar por pouco tempo, sendo que a luz possui o seu brilho amparado apenas em sua própria força de criar energia, sua auto-criação.”

Por Gleyson Dias. 

Tua entrega

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“- Não sei se lhe digo o que trago em mim…

- Além do corpo?

- Sim, além deste.”

(fragmento)

Nunca quis de ti mais do que isso: O teu ouvido e teu corpo.

O ouvido para o fim, o corpo para o começo. Mas definhamos da tarefa, que se tarefa foi, só o foi enquanto miséria das tarefas. Das duas coisas que procurei em ti, tive em excesso uma delas, o ouvido. Ouviste-me quando deveria. Quando queria e quando não queria.

E quando eu não queria que me ouvisses, deverias não correr de mim, certamente não, mas achegar-se junto ao meu corpo e pedir-me silêncio, Dizer que os próximos minutos não precisarão de transcrição em diálogo, pois diálogo não haverá. Não haverá diálogo que possa ser lido, mas apenas uma tênue linguagem do inescapável.

Depois de tudo passado, mais ou menos embaçado, à nossa frente, chegamos ao fim.

Agora que preciso que me ouças, tu dormes. Nem é preciso tocar-lhe para saber que teu espírito repousa longe desse infecto lugar. Neste pequeno lugarejo, o que sobra e me calha é deixar-te nua, ai, e sair a ver se algo me cai como ouvidos.

A imagem obliqua e difusa de um copo dando caminho a um pequeno iceberg que desliza em todas as direções, conforme o impulso que lhe dou, fará às vezes de estar aqui a me ouvir. Volto ao mezanino  a escrever o que me vem.

 

Se… Fuja!

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Se me vires por ai a olhar o vento
é porque quero ouvir do vento o som
nitido do teu riso a ricochetear por ai.

Se me vires na chuva correndo como um louco
a procurar à gotícula mais bonita da noite
é porque ando a me lembrar de tua pele.

Se o frio por aqui estiver e minha
voz for uma pequena intermitencia que insinue
o meu diálogo com o frio, achegue-se ao teu
portão para ouvires os delirios que digo a ele.

Se a noite bater em minha porta com força e
voce, seja aonde estiver, ouvir o som, caminhe
por ela, pela noite, para que ouças dela as noticias
insanas de delirios que ela veio me entregar.

Se no raiar do dia os teus olhos, de cansaço,
se recusar a vir ver o dia que aqui fora estará,
venha de olhos fechados até minha cama que eu darei
motivos a ele para que se abra e veja.

Se no furor do dia o calor lhe pegar desprevenida
e tu decidires desafia-lo pelo simples prazer de
afronta-lo, lembre-se que o nosso prazer em muito
criou o calor que agora enfrentas.

Mundos dos Enganos

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Mundo dos enganos, em cartaz. Reflito.

Nunca estive neste filme, mas é como se estivesse. Não entendo de palco e coxias, mas é como se estivesse encenando o nascer disso.

Subir e estar palco é a oportunidade de representar, os então sete bilhões que somos, o número que somos, a compor esta total soma. Ser um entre esse número é coisa que pouco espanta. Agora, ser um que representa diante desse número é coisa que alarma.

Sou desses que desconhece o que por ai se procura. Procuro o que me é o prazer. Trago comigo o prazer a representar, nu no palco, o seu sexo. Sou, meu corpo, a escandalizar mentes presas ao conluio social, o prazer.

Digo a prisão o que o prazer deveria ouvir, digo isso: seja o prazer, tu, a manter-se pela própria arte que tens, que é matar os outros e sobrevir em si.

Meu prazer logo só se faz em corpos inocentes, porque do contrário corpos que sabem de si não abrem para o prazer por simplesmente estarem a divagar entre o ser, o ter e o fazer. Ah, o que há nisto de não o ser. O que sei e digo é que vale ser em prazer que ter o desespero de lembrar o que nunca houve.

Imenso palco

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- (Aquele que afeta) Contemple a alguns metros de nós um corpo, dois corpos.

- (Aquele que interpreta)Aqui no palco atingimos a todos.

- (Aquele que outro que interpreta) Nosso eco é forte e invade vossas mentes.

- (Aquele que afeta) Aqueles não parecem mirar o que se passam em sua frente. Parecem atônitos e absorvidos por algo. Que algo será nasalado de seus narizes. Que algo será dito de suas bocas.

- (Aquele que está distante)) “Ah, já não posso mais suportar ser somente um corpo ao teu lado.”

- (Aquele que afeta) Teus olhos observam o que no palco acontece, mas seu corpo não.

- (Aquele que que está distante) “Queres me ver explodindo de prazer?”

- (Aquele que interpreta) O amor dos que nos assistem esta contido lá no fundo.

- (Aquele outro que interpreta) Costuremos então essas bocas que nada dizem de nós. Abram a boca e diga-nos que lhes parecem ver-nos aqui no palco.

- (Aquele que esta lá distante, ao lado do outro) “Quão aflita estou estando aqui. Estou enlouquecendo!? Certamente que não. A vida me dará algo por conforto …”

- (Aquele que que está distante) “Quero representar o turbilhão de anseios que comigo tenho. Teu corpo deveria estar nu. Queimá-lo-ia expelindo apenas meu ar em ti. Teus braços seriam a cruz que me colocaria e me ampararia no calor que me arrebentaria. Achas pouco?”

- (Aquele que esta lá distante, ao lado do outro) “Que devo eu fazer. Representar aqui? No palco? Se minhas mãos se moverem em direção contrária estarei eu afrontando-o? Ah, que palco imenso! Por mais que eu caminhe e represente mais me sinto indefesa. No palco, seria apenas um beijo. Mas aqui, a crueza … Sim. A crueza dos corpos. Descerei até aquele palco e gritarei a esses corpos que não ouvem o meu grito. Sinto que se o choro vier cairei desfalecida.

Vida!? Poupe-me de estar aqui como corpo e estar no palco como alma. Dê-me minha alma e, somente min’alma. Direi verdades sem estar trancada nesse corpo.”

 

 

O meu sorriso em agradecimento

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“Antes do fechar das 
cortinas alguém 
no palco pede as palmas.” 
(Infante lendo um folheto)

 

E se não precisássemos mais das palmas?

E se nossa vida fosse por si só um eterno agradecimento? 

E se meu sorriso fosse um agradecer ao outro?

O sorriso viraria comércio?

A vida levada a cabo seria um eterno movimento das carnes do rosto?Sobre o comércio, e, como possuo rudimentos de estudos psicológicos, diria que sim.

Já quanto à vida, diria: sim e não.

Se de imaginar a maneira como deveríamos viver, fosse-me dado a aplicação dessa proposta, procuraria concretizá-la do seguinte modo:

Para as crianças o sorriso como base do viver.

Para o jovem, o constante rebelar-se, intentaria no fato de que com isso buscaria para logo mais a arte do sorriso.

Para o adulto a premissa principal seria o concretizar dos sonhos através do sorriso.

Para o ancião o sorriso seria o aprender do que está por vir, a morte.

Para logo depois entender que finalizado o sorriso, entra-se na esfera da transformação das partículas do corpo em criação do artefato universal que abastece constantemente a máquina do fazer sorrir.

Por aqui tudo continua lindo.

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 Àquela senhora que passa

E sente em seu rosto, já abatido pelo tempo,

a leveza do mar.

Ela vive. Vive sentido a brisa do mar.

Talvez o seu caminhar não perceba

A graça de ali estar.

Mas, eu que por ali passava,

Não percebi o riso da criança que brincava.

Brincava na areia,

Brincava no mar.

Talvez fosse o teu brinquedo

Um fantoche do meu coração.

Que perdido estava

Em uma vaga tentativa de se encontrar

Naquele riso da criança.

No caminhar da criança

Que avança pelo mar em direção àquela velha anciã.

Nos pequenos pés que percorrem a areia.

Uma pequena caixa que se move.

Uma caixa de parafusos que têm o doce nome: “Criança”.

E o brilho dos olhos dela

Não coube no por do sol.

 

Ouviu-se o tilintar do cavaco.

E o gemido do pandeiro.

Já é noite na Lapa.

E os corpos que ali se movem

Pouco se distinguem entre si.

A única exceção são as pernas

Finas da criança que se movem.

Da criança que em seu brincar,

Tenta imitar a dança,

Daquela carioca que

Se move.

 

E faz do seu rebolado

O perscrutador dos olhos, afoitos,

Que ali espreitam.

Os amigos ao seu redor

Seguem o riso da madrugada.

E o calor incandescente que se aproxima

Faz queimar a menina dos olhos

Daquela morena.

 

O primeiro raio de sol se aproxima.

Já é dia na Lapa!

E a criança que por ali

Brincava.

E mendigo que por ali

Deitava.

Agora jazem embalados nos braços de Morfeu.

E a menina dos olhos, agora queimada,

Percebe que já é hora

De dar aos passos da Morena,

Um descanso.

Bem vindos. Estamos no Rio.

 

Texto produzido em parceria: Gleyson e Miriam.

 

 

Dedicado à “_ _ _ _”

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Mire ali! Duas mentes que se bastam.

Duas que se ferem.

Dois corpos que se embalam,

A verdade pra que queres?

 

Um vácuo! É o que tens ali

É o que tens aqui.

A verdade como operário

E uma mente por se abrir.

 

Um estado! Disseste algo pra mim.

De mim terás o que quiseres.

Transplantando a ilusão

Daquele que te feres.

 

Um rosto! No escuro tens a alma,

Quando claro a nudez.

Te embrenhas vida à fora

Procurando a lucidez.

 

Uma visão! Recebendo com humildade

Todo o prazer que lhe consome.

Angariar para a sabedoria

Tudo àquilo que é sem nome.

 

Um preço! Tens pela manhã

O sol que te rodeia.

Caminhas intentando tudo

Esquecendo a brisa alheia.

 

Dedicatória: Ao doce do capitalismo

que ainda continua a instigar

 à uma mui hermosa amiga. Mari

14/08/11

14:50

Com Carinho me Chamas

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Miro as infantes a brincar e vejo somente você.

Miro você e vejo somente o meu rosto.

(P1) Há tempos que vejo teus olhos em mim.

(P2) …

(P1) Vais me ignorar?

(P2) Como poderia?

(P1) Tens razão! Sou indissolúvel em teu viver. Mas, saiba: desde há muito tempo que não sou cortejada dessa maneira.

(P2) Talvez os outros… não veja em ti… o que eu…

(P1) Vejo?

(P2) É. Acho que é isso.

(P1) Pedirei um Drink se ainda não estiveres de saída.

(P2) Vá em frente. Se calhar, hoje, a noite dormirá comigo.

(P1) Do modo como o vejo hoje? Não. Tua cama, nessa noite, a mim pertence.

(P2) É indiferente para mim. Não será a primeira vez talvez.

(P1) Enquanto estais aqui a papear comigo perdes as demais infantes sedentas da noite.

(P2) Que posso eu fazer? Infantes são, mas na mesma medida vejo-as escorrendo por entre meus dedos.

(P1) Não educaste teus afetos para atraí-las para si?

(P2) Sim os eduquei. Agora os tenho sob controle.

(P1) Este tipo, esta forma de conduzi-los, só serve para alcançarmos a sapiência.

(P2) Ah, – (dando um sorriso irônico) – esqueceram de me dizer isto no liceu dos sentimentos.

(P1) Vejo em ti tanta graça. Tanta ternura. Pudera eu ir mais fundo em ti.

(P2) E porque não o faz?

(P1) Não poderia! Meu abraço seria o espaço que há entre o teu deslocar o pé no ar até tocá-lo novamente o chão.

(P2) Não vejo mal algum em movê-lo!

(P1) É porque não sabes tu que o teu tocar novamente o pé no chão resultaria a tua morte.

(P2) O Teu abraço meu causaria isso?

(P1) Não o meu abraço, mas sim o que representa o meu abraço e meu nome.

(P2) E que nome devo eu lhe dar?

(P1) Chame-me carinhosamente SOLIDÃO.

TEATRO “A Opressão que Escolta”

2 Comentários

Peça apresentada em Belo Horizonte – MG aos dias 20 de julho de 2011, no Congresso da Associação Brasileira dos Estudantes de Filosofia – ABEF

Escrito, dirigido e adaptado por: Gleyson Dias

Encenado por:

Wesley – UFAC – AC

Gleyson Dias – UCS – RS

Giordano Bruno – UFMA – MA

Clésia – UNIFOR – CE

Noeli – UNIFESP – SP

 

Para baixar clique no link, “TEATRO, BH-MG”

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